Coisa de homem?

Homem: Substantivo masculino;

1 – bio mamífero da ordem dos primatas, único representante vivente do gênero Homo, da sp. Homo sapiens, caracterizado por ter cérebro volumosos, posição ereta, mãos preênseis, inteligência dotada da faculdade de abstração e generalização, e capacidade para produzir linguagem articulada;

2 – a espécie humana; a humanidade.

“Você sempre foi meio menino, né?”, me perguntou uma prima que me viu crescer, há pouco tempo atrás, ao ir com minha mãe e eu comprar tinta spray e lixas, já que eu havia me disposto a reformar um móvel velho de minha mãe. Ignorei o fato de haver um certo sarcasmo homofóbico por trás dessa pergunta (visto que sou lésbica), e respondi apenas que sempre gostei de colocar a mão na massa e não depender de ninguém. Essa é a verdade e não há nada de mal nisso. Mas, para entender o assunto em questão, precisamos ir mais a fundo.

A sociedade atual, por mais “liberal” (nem tanto) que esteja, ainda assume um posto patriarcal arcaico e machista. Homens e mulheres assumem posições extremamente distintas. Eles são criados para serem líderes e chefes de família. Aqueles que cuidam da manutenção da casa. Nós, para as tarefas domésticas, que consistem em cuidar da limpeza do lar, dos filhos e do homem (mesmo quando também trabalhamos). Se a torneira da pia quebrou, é a eles que devemos recorrer em vez de tentar consertar nós mesmas. E, claro, tem que ter bastante paciência para esperar a “boa vontade” deles.

Algumas de nós, de fato, preferimos “quebrar” essa barreira que nos restringe dentro de um território intelectual, chamado grosseiramente de “coisas de homem”. A gente põe a mão na massa mesmo, até de forma literal, visto que o número de mulheres exercendo tarefas que antigamente eram exclusivamente masculinas, como construção civil, tem aumentado bastante nos últimos anos. E isso é muito bom. Somos tão capazes quanto qualquer homem. Aquela velha desculpa do “sexo frágil” já está mais que ultrapassada.

Foto: Sergio Willian

Infelizmente, muitas vezes o machismo vem de nós mesmas, como pudemos ver no exemplo citado no começo do texto. Só que isso ocorre por conta da formação cultural a que essa mulher foi exposta. Ela foi criada para se ver como alguém frágil, que fora capacitada com força e inteligência para gerar uma vida e sentir a dor do parto, mas que não suportaria cumprir uma tarefa simples como trocar um chuveiro, por exemplo.

Essas coisas estão mudando. Estamos assistindo o alvorecer de uma geração de mulheres que está trocando sua forma de pensar e agir e ensinando umas as outras que todos somos iguais, que nós somos tão capazes quanto os homens. Mulheres que tomam a iniciativa de aprenderem sozinhas coisas que não lhes fora ensinadas, por se tratar de “coisa de homem”, e que passam esse conhecimento a frente. A questão não é forjar algum tipo de superioridade sobre o sexo masculino e sim destacar a igualdade na divisão de tarefas e cargos, sejam domésticos ou não. Somos “pau pra toda obra”, como diria Rita Lee.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Maitê Aissa disse:

    Adorei esse post, muito interessante… e eu amo essa música ! Beijos Maite
    http://maiteaissa.com/

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